| Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil |
No domingo, 21 de setembro de 2025, diversos artistas que foram anistiados durante a ditadura militar no Brasil manifestaram-se publicamente contra propostas que visam conceder anistia aos presos relacionados às manifestações de 8 de janeiro de 2023. Os protestos ocorreram em várias capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Brasília.
Entre os manifestantes, destacaram-se nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Marina Lima, Daniela Mercury e Wagner Moura. Em São Paulo, Marina Lima subiu ao palanque político ao lado de parlamentares de oposição como Tabata Amaral (PSB-SP), Ivan Valente (PSOL-SP), Erika Hilton (PSOL-SP) e Guilherme Boulos (PSOL-SP). No Rio de Janeiro, os protestos incluíram discursos e presença nos atos contra a PEC das Prerrogativas e o Projeto de Lei de Anistia.
Em Brasília, artistas como Djonga, Pepita e Chico César também se uniram ao ato, que contou com intervenções simbólicas, como um boneco representando o ex-presidente Jair Bolsonaro, caracterizado como um “monstro”. Em Salvador, Wagner Moura discursou e Daniel Mercury esteve presente em ato que reuniu música, manifestações culturais e discursos políticos.
Principais reivindicações e críticas
Os manifestantes se posicionam contrariamente à concessão de anistia aos detidos no episódio de 8 de janeiro, argumentando que isso caracterizaria impunidade, sobretudo em casos que envolvem prisões preventivas prolongadas, uso de tornozeleiras eletrônicas, alegadas violações processuais e condenações desproporcionais.
Também foi apontada uma suposta incoerência por parte dos artistas anistiados na época da ditadura: pessoas que, no passado, foram beneficiadas por um perdão ou medida similar, agora rejeitam aplicar instrumento parecido para quem foi preso após protestos considerados ilegítimos pelo Estado. Este posicionamento despertou críticas de diversos setores da sociedade, inclusive nas redes sociais, onde alguns destacam uma aparente “memória seletiva”.
O movimento Advogados de Direita Brasil divulgou nota criticando diretamente o discurso artístico e dizendo que “o que antes era pacificação, agora virou impunidade”. Entre as frases mais fortes usadas, foi dito que alguns beneficiados pela anistia no regime militar recusam hoje o perdão para os réus do 8 de janeiro, acusando o Estado de agir com justiça seletiva.
Contexto
Anistia de 1979: concedeu perdão para opositores do regime militar, incluindo artistas, jornalistas, sindicalistas, jornalistas, mas também agentes públicos acusados de tortura.
8 de janeiro de 2023: data dos atos violentos contra prédios dos Três Poderes em Brasília, com prisões de manifestantes ligados a grupos que contestavam o resultado das eleições presidenciais.
PEC das Prerrogativas: proposta constitucional que tem gerado polêmica, sendo associada pelos manifestantes como parte de uma agenda que poderia reforçar privilégios para determinados grupos no sistema judiciário ou penal. Os protestos questionam não apenas a anistia, mas também essa PEC e o PL da Anistia.
Reações
O posicionamento dos artistas provocou repercussão ampla. Algumas pessoas elogiaram a iniciativa, entendendo que permitir anistia neste caso seria abrir espaço para impunidade; outros acusaram os manifestantes de hipocrisia, lembrando que muitos deles foram beneficiados no passado por regimes autoritários. Nas redes sociais, o debate polarizou-se: acusações de seletividade na aplicação da justiça, de mudança de discurso conforme o contexto político, e de interesse político nas manifestações.
Com informações da Revista Oeste